Sobre mim


Sou artista marcial há mais de vinte anos. Depois de dez anos a dirigir o meu centro de artes marciais, o Grão-Mestre Prof. Keith R. Kernspecht nomeou-me Sifu, e hoje tenho a grande sorte de aprender diretamente com o Sifu Sergio Iadarola. Depois da morte do meu marido, continuei a dirigir o nosso centro de artes marciais e a ensinar.
Os meus rapazes eram pequenos na altura e eu estava sozinha com eles. À tarde estava no pavilhão a cuidar dos filhos dos outros. Os meus estavam lá comigo e, mesmo assim, não tinha tempo para eles.
Enterrei-me neste trabalho, porque ali tudo tinha sentido e porque não precisava de sentir a dor enquanto estivesse em movimento. Por fora parecia força, e em parte era. Mas a certa altura já não sabia se o caminho que percorria ainda era o meu, ou se só continuava porque um dia tinha começado.
Durante dois anos aprendi então com Mira Michelle Crosby a voltar a escutar-me por dentro. Nada de etéreo, mas, entre outras coisas, orientações muito práticas que me trouxeram, pouco a pouco, de volta ao meu próprio sentir. Não deitei fora o meu caminho. Examinei-o e reajustei-o, e depois pude voltar a seguir em frente com força e a dar mais aos outros.
Há uma frase que digo aos meus alunos e alunas há anos: És a única pessoa que pode realmente mudar alguma coisa na tua vida. Não importa nada se os outros têm “culpa” ou não. Queixares-te não te leva um passo mais longe. Assume a responsabilidade e vamos a isso.
Depois veio a Covid, a minha escola ruiu financeiramente e um dia ouvi-me a mim própria a queixar-me. Das circunstâncias. Exatamente as frases que nunca tinha deixado passar aos outros.
Foi esse o momento. Assim não podia continuar.
Fiz o que há anos exigia aos outros e decidi arriscar um recomeço com os meus dois rapazes. Madeira, sozinha, sem rede.
Não ensino nada que só tenha lido. Precisei de cada parte disso na minha própria vida.
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